
A iniciativa
Prevendo que seria irreversível o processo de substituição
dos motores de 2 tempos em veículos de rua e competição,
e atendendo a revindicação dos pilotos, o Clube Sul Paulista
de Automobilismo alterou o regulamento no ano de 2003 permitindo a participação
motores 4 tempos em campeonatos por ele organizados. No primeiro ano apenas
dois karts foram equipados com estes motores, e logo abandonaram o projeto,
voltando para o 2 tempos. No ano de 2004 não houve participação
de karts com motores 4 tempos.
A decisão
Desgastados com os imprevistos, quebras e alta manutenção dos
motores 2 tempos, dois pilotos resolveram começar o campeonato de 2005
com motores de 4 tempos, ambos com chassi Loly de motor central (é
desaconselhá- vel a adaptação destes motores em chassi
com motor lateral por ser 20kg mais pesado que o 2 tempos de 135cc). E já
na primeira etapa foi visível a competitividade, com o "Tijolo"
na segunda colocação, e "Cau" da cidade de Sorocaba
em quinto entre os 22 karts que competiram na categoria 135cc. A partir da
segunda etapa já serão três os karts 4 tempos.
Muitos pilotos já estavam convencidos que a troca seria inevitável,
mas a fariam somente ao final do campeonato de 2005, pois já teriam
feito investimentos para disputar o campeonato com os motores 2 tempos. Devido
ao ótimo resultado obtido por estes dois pilotos, vários outros
pilotos já começaram a adaptação dos novos motores
ainda para este campeonato.
28/03/2005
Esporte
Motor testou o kart-cross com motor 4 tempos que deu trabalho na primeira etapa
do Paulista.
Depois
do processo de soldagem a peça tem que passar pelo tratamento térmico
superficial semelhante ao original. com esta adaptação o piloto
passou a ter uma gama maior de relações de transmissão.
O outro kart usou a transmissão completa original com bons resultados
também.
TESTE
EXCLUSIVO

A
equipe do Esporte Motor testou o kart-cross equipado com o motor Honda Twister/Tornado
de 250cc do "Tijolo", piloto de Votorantim que corre no Circuito Paulista.
As modificações
A adaptação, feita em parte pelo próprio piloto, não
foi difícil. O motor 135cc era fixado por meio de coxins para evitar
trepidações, o que não foi necessário para o motor
250cc, fixado diretamente numa base deslizante para que se possa fazer o esticamento
da corrente de transmissão. Foram feitos suportes para bateria, CDI,
regulador de voltagem, bobina, relê de partida, etc., tudo muito simples.
No escapamento foi usado a curva da moto Tornado e ponteira esportiva encontrada
em qualquer loja de Moto Peças. A ponteira é obrigatória.
O chicote original foi reduzido a somente o necessário, ficando menor
e com poucos fios. O botão de partida e do corta-corrente foi colocado
no volante.
Na estrutura do chassi um único tubo que fica atrás do banco do
piloto teve que ser reposicionado, pois interferia no cabeçote do motor
250cc que tem altura maior que o motor 135cc.
O maior problema apareceu na transmissão. Com a falta de opções
de relações usando-se pinhão/corôa originais, partiu-se
para o uso de corôas de passo menor da moto Titan 125cc, e pinhão
retrabalhado desta mesma moto com o miolo soldado do pinhão da Twister.
Na
pista
Em treinos, foi insignificante a diferença de tempos em relação
ao motor 2 tempos, ficando na casa dos centésimos de segundo em favor
do 135cc. Em ritmo de corrida a diferença praticamente não existiu,
com os dois karts sempre entre os cinco primeiros. "Tijolo" ficou
na liderança da primeira bateria por mais de dez voltas, e só
não a venceu devido a um pequeno erro causado por um defeito em um dos
amortecedores traseiros, em uma das curvas do circuito.
O Regulamento
O regulamento prevê que os motores 4 tempos liberados para correr junto
com os 135cc devem ser os que equipam as motos Honda Twister/Tornado 250cc,
com diâmetro e curso de pistão original (permitido retífica
até 1mm maior que original), carburador da moto Strada 200cc ou XL/XLX
250cc modificados para alimentação a álcool, taxa de compressão
livre (permitido o rebaixamento do cabeçote), CDI e outros ítens
do motor devem ser originais.
Com um regulamento que libera a preparação do motor 2 tempos e
restringe o 4 tempos deixando-os praticamente originais, o kart ganha 25kg a
mais que o 135cc, a disputa parecia ser desleal, mas não foi isto que
ocorreu na pista.
As vantagens
Como o motor 4 tempos tem partida elétrica e não precisa de ajudante
para dar a partida no box e na largada, não precisa de ajustes no carburador
com a mudança do clima, não usa óleo misturado no combustível,
gasta metade do combustível que o 2 tempos em uma corrida, pode fazer
até duas temporadas sem que seja aberto para manutenção,
é só fazer as contas de quanto vai economizar. Para que o motor
tenha uma alta durabilidade é necessário ter um filtro de ótima
qualidade (de motocross por exemplo),e mante-lo sempre limpo. É recomendável
também fazer no mínimo duas trocas de óleo por temporada.
O desempenho
A impressão que se tem ao andar com o motor 4 tempos para quem está
acostumado ao 2 tempos e suas altas rotações, é de que
se está lento, mas o cronômetro prova justamente o contrário,
pois o kart fica mais rápido nas aproximações das curvas
com o recurso das reduzidas, e muito mais rápido em saídas de
curva e pistas que possuem subidas pelo alto torque do motor, mais desejável
nestas horas que a potência final.
Conclusão
Confirmando uma tendência mundial da extinção dos motores
de 2 tempos, o kart-cross não poderia ficar de fora deste movimento.
Esperamos que em outros campeonatos espalhados pelo Estado de São Paulo
e por todos os Estados do Brasil, também começem gradativamente
a troca dos motores, principalmente em cidades onde é difícil
achar um bom preparador de motores 2 tempos para kart-cross.
